Fisioterapia Respiratória na Fibrose Cística
Realização:
Investimento Social:
ORGANIZAÇÃO
Instituto Unidos pela Vida
Fundado em 2011, o Instituto Unidos pela Vida é uma organização social sem fins lucrativos com sede em Curitiba (PR) e atuação nacional que tem como missão defender que pessoas com fibrose cística, doenças raras e doenças respiratórias no Brasil tenham conhecimento sobre sua saúde e direitos, equidade no acesso ao diagnóstico precoce e aos melhores tratamentos, contribuindo para melhora na qualidade de vida.
COORDENAÇÃO
Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira
Psicóloga, fundadora e diretora executiva do Unidos pela Vida. Mestre e Doutoranda em Ciências Farmacêuticas com Ênfase em ATS
CONTEÚDO
Gabriel da Luz Johnson
Jornalista e Gerente de Operações do Unidos pela Vida
REVISÃO TÉCNICA
Roberta Côrrea da Cunha
Fisioterapeuta do HC - UFPR
DIAGRAMAÇÃO
Leandro Moreira
Designer do Unidos Pela Vida e responsável pelo projeto gráfico e layout.
Sumário
Sobre o Unidos pela Vida
04
Sobre a fibrose cística
05
O pulmão na fibrose cística: por que o muco é diferente?
08
O papel da fisioterapia respiratória no tratamento
11
Técnicas manuais e exercícios de respiração
14
Aparelhos e dispositivos auxiliares (Pressão Positiva)
16
A fisioterapia em cada fase da vida (Bebês, Crianças e Adultos)
18
Atividade física: o movimento como aliado
19
O que muda durante as exacerbações pulmonares?
22
Adesão: como transformar a fisioterapia em hábito
23
A Equipe de Fibra
24
Rede de Apoio: Você não está sozinho!
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Referências
27
Sobre o Instituto Unidos pela Vida
Fundado em 2011 e com sede em Curitiba/PR, o Instituto Unidos pela Vida tem como missão defender que pessoas com fibrose cística, doenças raras e respiratórias no Brasil tenham conhecimento sobre sua saúde e direitos, equidade no acesso ao diagnóstico precoce e aos melhores tratamentos, contribuindo para melhora na qualidade de vida.
Em 2021 foi reconhecido, pelo quarto ano consecutivo, como uma das 100 Melhores ONGs do país e pelo segundo ano consecutivo como uma das 10 Melhores ONGs de Pequeno Porte do Brasil. Em 2018 e 2019 recebeu o prêmio de Melhor ONG de Pequeno Porte do país. Além disso, foi eleito como Melhor Prática do Terceiro Setor do Paraná pelo Instituto GRPCOM em 2019.
Conheça mais sobre o trabalho do Instituto em
unidospelavida.org.br
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04
Sobre a Fibrose Cística
A fibrose cística é uma doença genética rara e ainda sem cura (2, 4, 8). Também conhecida como Mucoviscidose ou Doença do Beijo Salgado, ela é resultado da disfunção da proteína cystic fibrosis transmembrane conductance regulator (CFTR). Essa alteração faz com que o muco presente nos sistemas respiratório e digestivo, fique mais espesso e pegajoso, difícil de eliminar, favorecendo o acúmulo de secreções e prejudicando o funcionamento desses órgãos. Além disso, o suor apresenta uma concentração maior de sal, uma característica importante da fibrose cística. (2, 4).
05
Sobre a Fibrose Cística
Formas de diagnóstico
Triagem pelo
Teste do Pezinho
Confirmação no
Teste do Suor
Exames genéticos
(pesquisa de mutações)
Tratamento
06
Uso de medicamentos (antibióticos, enzimas e moduladores da CFTR)
Fisioterapia respiratória diária
Prática regular de atividades físicas
Suplementos nutricionais e vitaminas
Terapias inalatórias (inalações), conforme orientação da equipe.
O acompanhamento deve ser realizado por uma equipe interdisciplinar especializada, incluindo pneumologista, fisioterapeuta, nutricionista, gastroenterologista, psicólogo, entre outros profissionais (2, 4, 5, 10).
Sobre a Coleção Convivendo com a Fibrose Cística
Acreditamos que a informação pode mudar vidas, por isso, para te ajudar a compreender a fibrose cística e conviver da melhor maneira possível com ela, criamos a coleção Convivendo com a Fibrose Cística, com cartilhas voltadas especialmente para familiares, pessoas com fibrose cística, profissionais de saúde, estudantes e tantas outras pessoas que queiram acessar esses conteúdos. Essa cartilha e todas as demais cartilhas já lançadas pelo Instituto Unidos pela Vida estão disponíveis em nosso site.
Basta acessar unidospelavida.org.br/cartilhas ou materiais.unidospelavida.org.br para baixá-las gratuitamente e ler em seu aparelho.
07
O pulmão na fibrose cística:
Por que o muco é diferente?
Em condições normais, nossas vias respiratórias são revestidas por uma fina camada de líquido e muco. Essa estrutura funciona como uma barreira física de proteção, responsável por umidificar o ar e capturar impurezas e microrganismos (4). A limpeza desse sistema é feita constantemente por pequenos “pelinhos” chamados cílios, que funcionam como vassouras naturais, empurrando o muco para fora dos pulmões (2, 4).
Na fibrose cística, a alteração genética prejudica o funcionamento da proteína CFTR, que é a responsável pelo transporte de cloreto e sódio nas células. Isso também interfere no equilíbrio de sódio e água, deixando o muco da superfície das vias respiratórias desidratado, espesso e difícil de eliminar.
Como consequência, os cílios, dos pulmões, têm mais dificuldade para transportar o muco, favorecendo o acúmulo de secreções.
08
O ciclo vicioso da inflamação
O acúmulo de muco espesso cria um ambiente escuro, úmido e quente, ideal para a proliferação de fungos e bactérias (1, 2).
A presença frequente desses invasores atrai as células de defesa do nosso corpo, gerando uma inflamação crônica (1, 6).
Se o muco não for removido, instala-se um "ciclo vicioso":
1. Acúmulo de muco: Dificulta a limpeza natural e obstrui as vias respiratórias.
2. Inflamação: A resposta do organismo pode prejudicar ainda mais as vias aéreas.
3. Infecção: O muco acumulado favorece a multiplicação de bactérias, intensificando a inflamação.
4. Danos pulmonares: A persistência desse ciclo pode causar lesões progressivas nos pulmões.
09
O papel preventivo
Manter as vias aéreas sempre limpas é o principal escudo da pessoa com fibrose cística (1). A fisioterapia respiratória atua diretamente na quebra desse ciclo vicioso, ajudando a remover o muco espesso, prevenindo infecções, protegendo a função dos pulmões e promovendo mais qualidade de vida (1, 3, 5).
Cuidar dos pulmões é fundamental na fibrose cística, mesmo quando não há tosse ou outros sintomas.
O nariz também precisa de cuidado! O sistema respiratório começa no nariz! Sinusites e pólipos nasais são comuns na FC (3, 4). A lavagem nasal diária com grande volume de soro fisiológico é fundamental para manter os seios da face limpos e evitar que focos de bactérias desçam para os pulmões (3, 4).
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O papel da fisioterapia respiratória no tratamento
O tratamento da fibrose cística é composto por várias frentes (como medicamentos, nutrição e inalações), mas a fisioterapia respiratória nunca deve ser vista como uma “opção” - ela é um pilar inegociável e diário para a manutenção da saúde (1, 2, 3). O seu objetivo principal é manter os pulmões limpos e bem ventilados, atuando através de dois mecanismos fundamentais (1, 4):
Higiene Brônquica (Limpando as vias aéreas)
É o conjunto de técnicas e exercícios que ajudam a “soltar” o muco espesso que fica grudado nas paredes dos pulmões. A fisioterapia move essa secreção das áreas mais profundas para as vias aéreas maiores, de onde o muco pode ser finalmente eliminado pela tosse (1, 4).
Expansão Pulmonar (Melhorando a capacidade de ar)
São exercícios focados em melhorar a entrada de ar e aumentar o volume do pulmão. Isso é vital porque garante que o ar chegue até as áreas mais profundas, ajudando a inflar o pulmão e a “empurrar” o muco de baixo para cima (1, 4).
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A “Ordem de Ouro” do Tratamento
Para que os remédios façam o efeito esperado, a sequência em casa importa muito (1, 3):
Broncodilatador:
Abre o caminho.
Mucolíticos
(Salina Hipertônica ou Dornase Alfa):
Deixam o muco menos pegajoso (1, 3).
Fisioterapia Respiratória:
Remove o muco que foi solto (1, 3).
Antibióticos e Corticoides Inalatórios:
Devem ser os últimos, para agirem diretamente na parede do pulmão já limpo (1, 3).
O tratamento começa com o broncodilatador, para facilitar a passagem do ar.
Em seguida, utiliza-se a solução salina hipertônica, que ajuda a hidratar e fluidificar o muco e deve ser administrada antes ou durante a fisioterapia respiratória, facilitando a eliminação das secreções.
A Dornase Alfa ajuda a reduzir a viscosidade do muco. Deve ser administrada cerca de 30 minutos antes ou depois da fisioterapia, conforme orientação da equipe que cuida de você.
O importante é administrá-la isoladamente, sem misturá-la a outros medicamentos, e nunca utilizar nebulizador ultrassônico.
Por último, vêm os antibióticos inalatórios, quando prescritos, sempre após a limpeza dos pulmões.
IMPORTANTE: a sequência deve ser adaptada à rotina e às necessidades de cada pessoa, seguindo as orientações da equipe de saúde.
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O plano precisa ser só seu!
Cada pessoa é única. Por isso, o acompanhamento com um fisioterapeuta especializado em fibrose cística é indispensável (1, 3). É este profissional que vai avaliar e montar o plano de tratamento individualizado, escolhendo as melhores técnicas e os aparelhos mais adequados de acordo com a idade, a gravidade da doença e a adaptação da pessoa com fibrose cística (1, 4).
Frequência e rotina: todos os dias!
Uma dúvida muito comum entre pessoas com fibrose cística e familiares é: “Preciso fazer fisioterapia mesmo nos dias em que me sinto bem e não tenho tosse?”
A resposta é SIM! (1, 4).
A fisioterapia na fibrose cística tem um papel essencialmente preventivo. O muco espesso é produzido continuamente pelo corpo e o seu acúmulo silencioso é o que abre portas para infecções e perda da função pulmonar (2, 4, 6). Portanto, a fisioterapia respiratória não deve ser feita apenas “quando há crise”. Ela deve fazer parte da rotina, ser encarada como um hábito (assim como escovar os dentes ou tomar banho), e ser realizada todos os dias para garantir que os pulmões continuem protegidos (1, 4).
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Técnicas manuais e
exercícios de respiração
Além dos aparelhos, existem exercícios poderosos que não dependem de nada além da sua própria respiração. Eles utilizam o controle do fluxo de ar para deslocar o muco das vias aéreas menores para as maiores, facilitando a expectoração (1, 2). Conheça as principais técnicas:
Ciclo Ativo da Respiração (ACBT)
É uma das técnicas mais utilizadas e versáteis. Ela combina três etapas:
a) exercícios de controle respiratório (respiração relaxada),
b) exercícios de expansão torácica (inspirações profundas para abrir os pulmões) e
c) a técnica de expiração forçada (huffing) para deslocar a secreção (1, 4).
Drenagem Autogênica
Uma técnica sofisticada que exige treinamento. A pessoa com fibrose cística aprende a controlar a velocidade e o volume da respiração em diferentes níveis pulmonares, fazendo o muco "subir" gradualmente sem esforço excessivo (1, 2, 4).
ELTGOL (Expiração Lenta Total com a Glote Aberta em Decúbito Lateral)
Realizada deitado de lado, consiste em expirar o ar de forma lenta e completa com a boca aberta. É excelente para limpar secreções específicas de determinados segmentos do pulmão, utilizando a gravidade e o controle do fluxo (1, 2).
Huffing (Técnica de Expiração Forçada) e Tosse Assistida
O “huffing” é aquele sopro rápido e forte, como se estivéssemos tentando embaçar um espelho. Ele é muito mais eficiente que a tosse convencional para mover o muco, pois não causa o fechamento súbito das vias aéreas (1, 4). A tosse assistida é usada ao final, apenas para remover o muco que já subiu.
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Técnicas manuais e
exercícios de respiração
Importante: Não existe uma técnica de fisioterapia respiratória que seja a melhor para todos. E também não existe superioridade entre uma técnica e outra. O importante é escolher aquela que funciona bem para cada pessoa, considerando sua idade, suas necessidades, suas preferências e sua rotina. Afinal, a melhor técnica é aquela que traz benefícios e que a pessoa consegue realizar corretamente e com regularidade.
DICA DE OURO: Proteja seu corpo! A pressão frequente da tosse e do huffing pode enfraquecer os músculos da bexiga (1, 4). Pratique o “Knack”: uma contração rápida e firme dos músculos pélvicos (como se estivesse segurando o xixi) logo antes de tossir ou fazer o huffing (4).
Sobre a Tapotagem (Percussão)
Antigamente, a “tapotagem” (aquela batidinha com as mãos em concha no peito) era a técnica mais comum. Hoje, as diretrizes dão preferência a técnicas modernas como as citadas acima, que conferem mais independência à pessoa com fibrose cística (1, 2). Porém, ela ainda pode ser utilizada em situações específicas ou em crianças pequenas, sob recomendação do seu fisioterapeuta (1).
Assista técnicas de fisioterapia respiratória no projeto Rodando o Brasil!
Acesse: https://bit.ly/RodandoBrasil
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Aparelhos e dispositivos auxiliares
Além das técnicas manuais, existem aparelhos criados especificamente para ajudar a “abrir” os pulmões e soltar o muco. Eles funcionam criando uma Pressão Expiratória Positiva (PEP): ao soprar contra uma resistência, o ar entra atrás da secreção, empurrando-a para fora e impedindo que as vias aéreas se fechem antes da hora (1, 3, 4). Alguns também geram vibrações (oscilações) que “chacoalham” o muco, facilitando seu desprendimento (1, 2, 4). Conheça os mais comuns:
Flutter e Shaker
Têm o formato de um cachimbo com uma esfera de aço dentro. Ao soprar, a esfera sobe e desce, criando ondas de pressão e vibração que limpam os brônquios. São portáteis e muito eficazes para dar independência à pessoa com fibrose cística (1, 2, 3).
Acapella
Funciona de forma parecida com o Flutter, mas utiliza um mecanismo de imãs e contrapesos. A grande vantagem é que pode ser usado em qualquer posição (sentado, deitado ou inclinado) e permite ajustar a resistência de acordo com a força do sopro (1, 4).
RC Cornet
Um tubo em formato de berrante que utiliza o dobramento de uma mangueira interna para criar a pressão e a vibração. É silencioso e também ajuda a estabilizar as vias aéreas (4).
Máscara PEP
É uma máscara acoplada a uma válvula que oferece resistência apenas na hora de soltar o ar. É muito utilizada para ajudar a "inflar" áreas colapsadas do pulmão e deslocar grandes volumes de muco (1, 3).
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Higiene é inegociável!
Bactérias e fungos adoram ambientes úmidos e escuros (1, 3). Por isso, a limpeza do seu equipamento é tão importante quanto o exercício em si:
Lave sempre:
Após cada uso, desmonte o aparelho e lave com água morna e detergente neutro (1, 3, 4).
Desinfete diariamente:
Uma vez ao dia, realize a desinfecção (por fervura por 5 minutos ou conforme orientação do fabricante) (3, 4).
Seque bem:
Deixe as peças secarem totalmente em local limpo antes de guardar. Nunca guarde o aparelho úmido, pois isso favorece a contaminação (1, 3).
Segurança entre amigos:
Pacientes com FC devem manter uma distância de pelo menos 2 metros entre si em consultas e eventos para evitar a troca de bactérias perigosas (contaminação cruzada) (1, 4).
ATENÇÃO: NÃO COMPARTILHE EQUIPAMENTOS!
Nebulizadores, máscaras, bocais e dispositivos de fisioterapia são de uso individual. NUNCA compartilhe, nem mesmo entre irmãos!
Cada pessoa pode ter bactérias diferentes, e o compartilhamento aumenta o risco de transmissão e infecções.
Para evitar trocas: identifique os equipamentos com nomes, cores ou adesivos diferentes e guarde-os separadamente.
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A fisioterapia em cada fase da vida
A fisioterapia respiratória acompanha a pessoa com fibrose cística durante toda a jornada com a fibrose cística. No entanto, a forma como ela é realizada se transforma: o que antes era uma técnica totalmente dependente dos pais, evolui para uma rotina de autocuidado e independência (1, 4, 8).
Bebês e crianças pequenas: O tempo de aprender brincando. Nesta fase, os pulmões ainda estão em desenvolvimento e as vias aéreas são bem pequenas (1, 4).
Dependência: O tratamento é conduzido inteiramente pelos pais ou cuidadores, que devem ser treinados pela equipe de fisioterapia logo após o diagnóstico (1, 3, 8).
Técnicas Passivas: Utilizam-se manobras manuais suaves, como a Drenagem Autógena Assistida e a Percussão (tapotagem), além de posicionamentos que facilitam a drenagem (1, 4, 8).
Lúdico: O segredo é transformar o exercício em diversão. Brincar de fazer bolhas de sabão e usar brinquedos de sopro são as primeiras formas de ensinar a criança a controlar a respiração e soltar o ar com força (4, 7, 8).
Crianças maiores e adolescentes: O caminho da autonomia. É o período de transição, onde a criança começa a assumir a responsabilidade sobre o seu próprio corpo (1,8).
Independência: Por volta dos oito anos, a criança já costuma ter maturidade para aprender técnicas autônomas, como o Ciclo Ativo da Respiração (1, 4, 8).
Dispositivos: Introduzem-se aparelhos como o Flutter ou a Máscara PEP, que dão mais agilidade ao tratamento (1, 3, 4).
Desafios da Adolescência: A adesão pode oscilar nesta fase. O diálogo e o apoio da equipe são essenciais para mostrar que a fisioterapia garante a energia para o esporte e a vida social (1, 8, 9).
Adultos: Protagonismo e qualidade de vida. Na vida adulta, a fisioterapia é a ferramenta que protege a função pulmonar e garante autonomia (1, 3, 4).
Rotina Flexível: O desafio é conciliar as sessões com trabalho e estudos. O plano deve ser adaptado para se encaixar no estilo de vida do adulto (1, 4, 8).
Foco na Manutenção: O objetivo central é manter a capacidade pulmonar estável e a boa tolerância aos exercícios físicos (1, 3, 5).
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Atividade física: o movimento como aliado
Na fibrose cística, o exercício físico é considerado um verdadeiro “medicamento” (4). Quando você se movimenta, sua respiração fica mais profunda e rápida (aumento da ventilação), o que cria um fluxo de ar capaz de “chacoalhar” e deslocar o muco das áreas mais profundas do pulmão para as vias aéreas maiores, facilitando a sua saída (1, 9). Além disso, o exercício fortalece os músculos que usamos para respirar, melhora a postura e ajuda a preservar a função pulmonar ao longo dos anos (1, 4, 9).
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Educação Física aliada à Fisioterapia:
Para a pessoa com fibrose cística, o profissional de Educação Física e o Fisioterapeuta trabalham em conjunto para garantir um treino seguro (1).
Segurança em primeiro lugar: Antes de iniciar qualquer rotina de exercícios aeróbicos (como corrida) ou de força (musculação), é obrigatória a liberação e o acompanhamento médico (3, 9).
Plano de Fibra: A equipe multidisciplinar ajudará a definir a intensidade ideal, garantindo que você ganhe fôlego e massa muscular sem ultrapassar seus limites (9).
Como encaixar no dia a dia?
O segredo é a regularidade e escolher algo que lhe dê prazer (9).
Modalidades:
Caminhadas, natação, ciclismo e até jogos de videogame ativos (exergames) são excelentes opções (1, 8, 9).
Frequência: O ideal é praticar de 3 a 5 vezes por semana (3, 9).
Tempo: Comece com pequenos períodos e tente chegar a uma média de 20 a 40 minutos por dia (9).
Lembre-se: a melhor atividade é aquela que você gosta e consegue manter na sua rotina! O segredo é escolher uma atividade prazerosa e praticá-la com regularidade!
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Como encaixar no dia a dia?
Dica de Ouro: A atividade física não substitui a fisioterapia, mas a torna muito mais eficiente. Muitas pessoas com fibrose cística preferem praticar o exercício e, logo em seguida, realizar as técnicas de limpeza (huffing), aproveitando que o muco já está “solto” pelo movimento (1, 9).
Atenção ao Sal e Hidratação!
Pessoas com fibrose cística perdem muito sal no suor (2, 3). Durante o exercício ou em dias de calor, beba muita água e converse com seu médico sobre a necessidade de repor sal (eletrólitos) para evitar desidratação e fraqueza (1, 3, 4, 9).
Quer se aprofundar mais?
Acesse o Conexão SUS, a plataforma de educação do Unidos pela Vida e procure o curso “Fisioterapia Respiratória e Atividade Física para o Tratamento de Doenças Respiratórias”!
Saiba mais em conexaosus.org.br
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O que muda durante as exacerbações?
Na fibrose cística, chamamos de “exacerbação” os períodos em que os sintomas respiratórios pioram, geralmente devido a uma infecção (1, 3).
Nesses momentos, você pode notar aumento da tosse, cansaço excessivo, mudança na cor ou no volume do muco e perda de apetite (3, 8).
Fisioterapia Intensiva: Quando isso acontece, o tratamento precisa ser intensificado. Se você costuma fazer uma ou duas sessões de limpeza por dia, seu fisioterapeuta pode recomendar o aumento para três ou mais sessões, visando combater o acúmulo extra de secreção e proteger os pulmões (1, 3, 4).
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Foco Total: Mesmo se houver necessidade de internação para uso de antibióticos na veia, a fisioterapia continua sendo sua maior aliada para acelerar a recuperação e devolver sua disposição (1, 8).
Adesão:
como transformar a rotina em hábito
Sabemos que a rotina de tratamento da fibrose cística é intensa e exige muita disciplina (1, 3). No entanto, o segredo para não desanimar é entender que cada sessão de fisioterapia é um investimento no seu futuro, garantindo que você tenha fôlego para realizar seus sonhos (1, 8).
Dicas para facilitar o dia a dia:
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Envolvimento Familiar:
O apoio da família é fundamental. Quando todos entendem a importância do tratamento, o momento da fisioterapia deixa de ser uma “obrigação da pessoa com fibrose cística” e passa a ser um cuidado de todos (1, 8).
Negociação, não punição:
Especialmente com crianças e adolescentes, a fisioterapia nunca deve ser usada como castigo. O ideal é negociar horários e criar recompensas positivas após o término das sessões (1, 8, 9).
Adapte à sua vida:
Não tente encaixar sua vida na fisioterapia; encaixe a fisioterapia na sua vida. Planeje as sessões de acordo com o horário da escola, do trabalho ou do lazer para que o tratamento não seja visto como um estorvo (1, 4).
DICA: Crie um ambiente agradável. Transforme o momento do exercício em algo prazeroso: Assista a um episódio da sua série favorita enquanto usa o dispositivo de PEP (4). Monte uma playlist animada para acompanhar os exercícios de expansão (9). Para os pequenos, use jogos e brincadeiras que estimulem o sopro e o movimento (1, 4).
Conheça a
Equipe de Fibra
O esporte tem o poder de transformar a saúde e a mente. Para incentivar o estilo de vida ativo, o Instituto Unidos pela Vida criou o projeto Equipe de Fibra (9).
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O que é:
Uma comunidade de pessoas com fibrose cística, familiares e amigos que participam de provas de corrida, caminhada e outras modalidades, mostrando que a fibrose cística não é um limite, mas um motivo a mais para se movimentar (9).
Inspiração:
O objetivo é mostrar que, com o tratamento em dia e acompanhamento médico, o esporte ajuda a manter os pulmões limpos e a vida muito mais alegre (9).
Participe
Vista a sua camisa e junte-se a nós! Acesse unidospelavida.org.br e entre em contato com o Unidos pela Vida para saber como fazer parte desse time que corre pelo fôlego (9).
Rede de Apoio: Você não está sozinho!
Receber um diagnóstico de doença rara pode ser desafiador, mas o Brasil possui uma rede de apoio sólida para acolher sua família.
Instituto Unidos pela Vida: Atua em todo o Brasil oferecendo informações, apoio e direcionamento para os Centros de Referência (www.unidospelavida.org.br).
Associações de Assistência Estaduais: Existem associações de pais e pessoas com fibrose cística em quase todos os estados brasileiros. Elas auxiliam no acesso a medicamentos, garantem direitos e promovem a troca de experiências entre famílias que vivem a mesma realidade.
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NOTA IMPORTANTE: Esta cartilha tem caráter exclusivamente educativo e informativo, sendo destinada a pacientes, familiares, cuidadores, profissionais da saúde, estudantes e demais pessoas interessadas no tema.
As informações aqui apresentadas foram elaboradas com base em evidências científicas e em referências técnicas disponíveis no momento de sua produção. No entanto, este material não substitui a avaliação, orientação, diagnóstico, acompanhamento ou prescrição realizada por médicos, fisioterapeutas e/ou outros profissionais de saúde habilitados.
Cada pessoa possui características clínicas, necessidades e condições específicas que devem ser avaliadas individualmente por sua equipe assistencial.
Em caso de dúvidas relacionadas à saúde, ao tratamento ou ao uso de medicamentos, recomenda-se sempre buscar orientação junto ao profissional responsável pelo seu acompanhamento.
As decisões sobre diagnóstico, tratamento e cuidados em saúde devem ser tomadas de forma individualizada, considerando as particularidades de cada pessoa e as recomendações da equipe multiprofissional.
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Referências:
1. ASSOBRAFIR; GBEFC. Recomendação Brasileira de Fisioterapia na Fibrose Cística: um Guia de Boas Práticas Clínicas. Assobrafir Ciência, v. 10, supl. 1, p. 1-134, maio 2019. Disponível em: https://portalgbefc.org.br/ckfinder/userfiles/files/Recomenda%C3%A7%C3%A3o%20Brasileira%20de%20Fisioterapia%20na%20Fibrose%20C%C3%ADstica.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
2. ATHANAZIO, R. A. et al. Diretrizes brasileiras de diagnóstico e tratamento da fibrose cística. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, n. 3, p. 219-245, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/CtkWJ8LjzyxPvKvLB5fGndC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9 jul. 2026.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Fibrose Cística (PCDT). Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 5. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/assuntos/avaliacao-de-tecnologias-em-saude/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas/pcdt. Acesso em: 9 jul. 2026.
4. CYSTIC FIBROSIS TRUST. Standards of Care and Good Clinical Practice for the Physiotherapy Management of Cystic Fibrosis. 4. ed. London: Cystic Fibrosis Trust, 2020. Disponível em: https://www.cysticfibrosis.org.uk/sites/default/files/2020-12/Standards%20of%20Care%20and%20Good%20Clinical%20Practice%20for%20the%20Physiotherapy%20Management%20of%20Cystic%20Fibrosis%20Fourth%20edition%20December%202020.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
5. LEVINE, Andrea R.; GRIER, William R. Reabilitação pulmonar. Manual MSD Versão Saúde para a Família, Rahway, mar. 2024. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-pulmonares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/reabilita%C3%A7%C3%A3o-para-dist%C3%BArbios-pulmonares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/reabilita%C3%A7%C3%A3o-pulmonar. Acesso em: 9 jul. 2026.
6. MORRISON, C. B. et al. Mucus, mucins, and cystic fibrosis. Pediatric Pulmonology, v. 54, n. S3, 2019. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ppul.24530. Acesso em: 9 jul. 2026.
7. PRADO, Sueli Tomazine. O papel da fisioterapia na fibrose cística. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro, v. 10, n. 4, p. 110-117, out./dez. 2011. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistahupe/article/view/8884. Acesso em: 9 jul. 2026.
8. SCHIVINSKI, Camila Isabel Santos et al. Protocolo de atendimento e seguimento fisioterapêutico na fibrose cística. Fisioterapia Brasil, v. 19, n. 4, p. 508-523, 2018. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2021/07/1255376/protocolo-de-atendimento-e-seguimento-fisioterapeutico-na-fibr_8A58ieZ.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
9. UNIDOS PELA VIDA. Exercício Físico na Fibrose Cística: fibra em foco para conhecer e cuidar. Curitiba: Instituto Unidos pela Vida, 2024. (Coleção Convivendo com a Fibrose Cística - 2ª Edição). Disponível em: https://unidospelavida.org.br/wp-content/uploads/2023/12/Cartilha-Exerci%CC%81cio-Fi%CC%81sico-na-Fibrose-Ci%CC%81stica.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
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