Caderno Especial
Processo de Incorporação de Tecnologias no Brasil, Participação Social e Atuação de Associações de Pacientes
Este relatório apresenta uma pesquisa exploratória e documental focada na avaliação de tecnologias em saúde (ATS) e na importância estratégica da participação social junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O material analisa especificamente como se deu a atuação de associações durante o preparo para consultas públicas de medicamentos voltados para a fibrose cística, esclerose múltipla e atrofia muscular espinhal no ano de 2020.
A importância da participação social na saúde
A incorporação de novas tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS), como medicamentos inovadores, passa por um rigoroso processo de avaliação. A participação da sociedade civil e das associações de assistência nesse fluxo é um direito previsto e um passo fundamental para apresentar dados de vida real que auxiliam os gestores na tomada de decisão.
Neste caderno especial você vai ver:
- Conceitos detalhados sobre o que são Tecnologias de Saúde e como funciona a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS).
- O passo a passo do fluxo de incorporação de tecnologias no Brasil no mercado público.
- Os mecanismos da Conitec e o caminho de como uma associação deve se preparar para atuar ativamente em consultas públicas.
- Informações clínicas e epidemiológicas essenciais sobre doenças raras, com foco na fibrose cística, atrofia muscular espinhal (AME) e esclerose múltipla.
- Análise de dados quantitativos e qualitativos das consultas públicas de medicamentos para essas três patologias realizadas em 2020.
- Relatos de experiência reais sobre a atuação incisiva do Instituto Unidos pela Vida e do Instituto Fernando Loper Vasconcellos.
Principais achados e resultados
Através da análise documental na plataforma da Conitec, a pesquisa revelou dados essenciais sobre o impacto da mobilização social no processo de ATS:
- As seis tecnologias avaliadas em 2020 para as três doenças estudadas receberam recomendação preliminar desfavorável, com justificativas do governo majoritariamente ligadas ao impacto orçamentário e altos custos.
- Apesar de serem patologias raras, a mobilização social foi expressiva nos formulários de experiência e opinião.
- A consulta pública para o medicamento lumacaftor/ivacaftor, voltado para fibrose cística, registrou o maior volume absoluto de participações do período analisado, somando 11.916 contribuições da sociedade.
- A pesquisa comprova que as consultas e audiências públicas são momentos decisivos no fluxo governamental: a pressão estruturada com dados de vida real resultou em mudanças nas recomendações finais da Conitec para determinadas tecnologias, garantindo a incorporação do nusinersena para AME tipo II e a ampliação de uso do natalizumabe para esclerose múltipla.
Sobre o papel do Unidos pela Vida na geração de dados
Para embasar o nosso trabalho e promover mudanças concretas e duradouras nas políticas públicas, o Instituto produz e divulga dados diretos, levantamentos documentais, relatórios e cadernos especiais sobre fibrose cística, doenças respiratórias e raras, atuação do terceiro setor e estratégias de advocacy. Acreditamos que a qualificação dos processos na saúde brasileira exige constante aprendizado técnico e troca de evidências estruturadas. Gerar dados consistentes é a principal ferramenta que utilizamos para empoderar nossa comunidade e, acima de tudo, cobrar transparência e o efetivo cumprimento de regras dos órgãos responsáveis por incorporar tecnologias de saúde no país.
Basta acessar materiais.unidospelavida.org.br para ler gratuitamente todas as nossas publicações e pesquisas e acompanhar nosso trabalho técnico.